terça-feira, 21 de outubro de 2014

Bleeding

I got shot
I barely can breath
I guess it's over now
Darkness waits for me


vestibular, cobranças familiares e o futuro

Estou na época mais tensa do ano para estudantes: véspera de vários vestibulares, especialmente o ENEM.

Como estou no primeiro ano, decidi não me sobrecarregar e me dedicar apenas a duas metas: O ENEM e o PRISE.

Acho desnecessário introduzir o ENEM, porque vocês todos já devem estar cientes do que se trata, certo? Exame que avalia o ensino médio e é utilizado como exame de admissão de várias universidades federais.

Já o PRISE é o programa de vestibular seriado, para não perder tempo, vou logo dizendo que se trata de uma prova consecutiva (você faz nos três anos do Ensino Médio, 1, 2 e 3) para acumular pontos para o curso X da universidade estadual do Pará, se você conseguir passar nas duas primeiras etapas, já que são provas eliminatórias.

dai-me paciência e esclarecimento

Eu achei que conseguiria organizar minha rotina de estudos, mas a verdade é que ela está um caos. E para piorar, eu acabo me desviando do meu plano de estudo para me dedicar ao prioritário, que é o conteúdo de prova do meu colégio. Eu mencionei que tenho provas toda santa merda de semana?

Sem falar que eu dou atenção para inutilidades como o facebook e os episódios atrasados das minhas séries favoritas, eu entendo perfeitamente a preocupação da minha mãe de não achar que estou me esforçando o suficiente, mas ela também me subestima e eu me sinto diminuída.  Eu não tiro notas ótimas em exatas, para falar a verdade eu tenho dificuldades nelas, mas eu não sou burra e eu gostaria que ela não fosse fatalista a ponto de achar que pela minha distração eu vou acabar virando faxineira ou vendedora de loja de departamento (duas profissões bem dignas por sinal), que definitivamente não estão nas minhas opções para o futuro.

A Esperança

Quero  deixar claro antes de qualquer outra coisa nesse post que essa trilogia continua no meu rol de favoritas do gênero distópico, mas eu fiquei bem desapontada com o seu final monótono e previsível.

''Como assim monótono, Vic? É um livro cheio de ação!''

Sim, isso é inegável, mas eu esperava um desenrolar melhor para o plot político, afinal, não é mais um jogo, é uma guerra, e segundo a história o que causa uma guerra? Duas forças políticas em oposição, no caso especificamente os rebeldes dos distritos contra o Capitol.

Lendo os dois primeiros livros você deve enxergar as coisas de uma maneira bem preto no branco. Os rebeldes são os mocinhos bonzinhos e o Capitol é o lobo mau que devora as criancinhas (ou no caso, manda elas para a morte em um reality show).

Só que no decorrer de A Esperança, assim como a nossa protagonista, você percebe que os rebeldes podem ser tão vis quanto o exército do presidente Snow e começa a se questionar se existe um lado correto nessa guerra.

Tradução livre: “(…) Plutarch disse a ele. “Nós vamos constituir uma república onde as pessoas de cada distrito e da Capital possam eleger seus próprios representantes para falar por eles frente a um governo central. Não me olhe dessa maneira; já funcionou anteriormente.”
“Nos livros.”(…)
Francamente, nossos antecessores não têm muito do que se vangloriar. Quero dizer, olhe o estado que eles deixaram as coisas para nós, com as guerras e o planeta destruído. (…)”


Quando li o primeiro livro, o que me chamou atenção foi o fato da protagonista fugir do estereótipos de heroína existentes, ela não era nobre e generosa (apesar demonstrar altruísmo diversas vezes sem perceber), ela era uma sobrevivente e não era nem um pouco fresca, entende? Ela não ficava choramingando o livro todo: Oh, céus, com qual dos garotos lindos de morrer eu devo ficar? Não posso magoá-los.

A partir do segundo livro ela deu uma decaída que fica mais evidente no terceiro livro: reclamar da vida o tempo, mesmo quando não era necessário, por exemplo quando ela estava vivendo sua vidinha ordinária de ganhadora dos jogos, ela expressava seu desapontamento e nostalgia da época que era uma pé rapada que mal podia alimentar a própria família (?). Ou no terceiro, quando ela dizia o tempo que queria morrer, se sacrificar, e Peeta, Peeta, Peeta e Peeta.

Enfim, analisando de maneira geral, não foi um final ruim, embora pudesse ter sido melhor. Em uma guerra, ocorrem perdas expressivas em ambos os lados e isso foi muito bem trabalhado aqui, a autora não poupou personagens populares ou intocáveis, do tipo que você duvida que vai danificar um fio do cabelo.

Quanto ao plot político, gostei dela ter demonstrado que mesmo fulano do lado certo era capaz de atos desprezíveis para obter o poder e de certa forma ter recebido o que merece, curti também a maneira como ela abusou do humor negro na hora das metáforas políticas. Katniss, a personagem mais promissora de toda história, apesar da pequena regressão, continua na minha opinião sendo uma das melhores protagonistas feministas do gênero da ação. Peeta, que podia ter evoluído, continua sendo um Banana (muito fofo e adorável, por sinal), isso mesmo com B maiúsculo, mas eu suponho que isso tenha sido intencional, já que se o personagem fosse mais ativo na história ele poderia ofuscar a protagonista como ocorreu em Divergente.
E o Gale? Não tenho a menor simpatia, sem falar que foi um daqueles secundários gente boa, mas que enche o saco de qualquer leitor pela sua teimosia e egoísmo.