''Como assim monótono, Vic? É um livro cheio de ação!''
Sim, isso é inegável, mas eu esperava um desenrolar melhor para o plot político, afinal, não é mais um jogo, é uma guerra, e segundo a história o que causa uma guerra? Duas forças políticas em oposição, no caso especificamente os rebeldes dos distritos contra o Capitol.
Lendo os dois primeiros livros você deve enxergar as coisas de uma maneira bem preto no branco. Os rebeldes são os mocinhos bonzinhos e o Capitol é o lobo mau que devora as criancinhas
Tradução livre: “(…) Plutarch disse a ele. “Nós vamos constituir uma república onde as pessoas de cada distrito e da Capital possam eleger seus próprios representantes para falar por eles frente a um governo central. Não me olhe dessa maneira; já funcionou anteriormente.”
“Nos livros.”(…)
Francamente, nossos antecessores não têm muito do que se vangloriar. Quero dizer, olhe o estado que eles deixaram as coisas para nós, com as guerras e o planeta destruído. (…)”
Quando li o primeiro livro, o que me chamou atenção foi o fato da protagonista fugir do estereótipos de heroína existentes, ela não era nobre e generosa (apesar demonstrar altruísmo diversas vezes sem perceber), ela era uma sobrevivente e não era nem um pouco fresca, entende? Ela não ficava choramingando o livro todo: Oh, céus, com qual dos garotos lindos de morrer eu devo ficar? Não posso magoá-los.
A partir do segundo livro ela deu uma decaída que fica mais evidente no terceiro livro: reclamar da vida o tempo, mesmo quando não era necessário, por exemplo quando ela estava vivendo sua vidinha ordinária de ganhadora dos jogos, ela expressava seu desapontamento e nostalgia da época que era uma pé rapada que mal podia alimentar a própria família (?). Ou no terceiro, quando ela dizia o tempo que queria morrer, se sacrificar, e Peeta, Peeta, Peeta e Peeta.
Enfim, analisando de maneira geral, não foi um final ruim, embora pudesse ter sido melhor. Em uma guerra, ocorrem perdas expressivas em ambos os lados e isso foi muito bem trabalhado aqui, a autora não poupou personagens populares ou intocáveis, do tipo que você duvida que vai danificar um fio do cabelo.
Quanto ao plot político, gostei dela ter demonstrado que mesmo fulano do lado certo era capaz de atos desprezíveis para obter o poder e de certa forma ter recebido o que merece, curti também a maneira como ela abusou do humor negro na hora das metáforas políticas. Katniss, a personagem mais promissora de toda história, apesar da pequena regressão, continua na minha opinião sendo uma das melhores protagonistas feministas do gênero da ação. Peeta, que podia ter evoluído, continua sendo um Banana (muito fofo e adorável, por sinal), isso mesmo com B maiúsculo, mas eu suponho que isso tenha sido intencional, já que se o personagem fosse mais ativo na história ele poderia ofuscar a protagonista como ocorreu em Divergente.
E o Gale? Não tenho a menor simpatia, sem falar que foi um daqueles secundários gente boa, mas que enche o saco de qualquer leitor pela sua teimosia e egoísmo.
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